Tudo isso é apenas uma mera tentativa de fugir do mundo em um universo particular em que, acidentalmente, me perdi nas palavras e, apenas nelas, terei capacidade de me reencontrar.

May 4th

Nas esquinas do Catete, em um dos melhores barzinhos do Rio, estava Marlon. Estava sentado em uma mesa preenchida por latinhas vazias e surdo por um tumulto de barulhos que ecoavam pelos cantos.

“Digo mais sobre Marlon, de quando o conheci. No vigor dos trinta anos, alegre, vivo, cheio de ginga, dançarino de primeira (se impunha na quadra, samba solto no pé), tipo contador de anedota, chegado a um rabo-de-saia, metido a bom-de-bola, exímio na sinuca, amante de umas e outras em qualquer botequim, craque na viola e festeiro que só ele. Enfim, um ser social querido por muitos.”

Foi nesse contexto que o reencontrei. Porém o Marlon de meu tempo já fora mais simpático. Cumprimentei-o, ao que me respondeu apenas com um balançar de cabeça. Uma conversa artificial: muito trabalho, pouco dinheiro, contas e contas a pagar. Parei para observá-lo um pouco mais e resolvi por me levantar E deixa, deixa; foi mais um dos meus camaradas das antigas afogado pelo sistema. E não serei eu que lhe dará um boca-a-boca! Agora me vê uma cerveja bem gelada que tenho uma piada à contar, garçom. 

Laura Chaloub (versoreverso)

*O trecho em itálico pertence ao conto Marlon Pimenta da Silva de Jorge Hausen. 

May 4th / with 1 note
Tags: loubs,

  1. passos-em-volta likes this
  2. versoreverso posted this